quarta-feira, 3 de março de 2010

Julgamento de Batalha




Hoje encontro me perdido,
a caminhar sem rumo definido.
Por caminhos onde muitas vezes passei
e amizades desapeguei.

O bruto rupestre
No qual uma vez me deitara,
Outro mestre o titulara.

Campo de batalha!
Campo de centeio!
Uma vez servira de navalha,
Outra de passageiro.

Tempos agrestes e metais celestes,
Oh senhor! O papel que me destes!

Homem do mal,
Homem da justiça.
Encontrar tal ideal
Nunca fora tarefa tão metediça.

Com tanta morte e tanta batalha,
Hoje sei qual a minha sentença é.
Por tal lamina crescente apresento me sem fé.

Mal ao mundo,
Mal a mim.
Mas lá no fundo,
Arrependo-me, enfim.

Disputa nas Profundezas do Ser




Bonito dia se apresentara, diante da janela coberta pela minha cara. Olhava para o céu, para os pássaros, para o ramo de árvore cheia de folhas, pensando na sorte que tinham. Não se encontravam presos por nada, mas eu, já nem um minuto mais aguentava.
Estava preso pela minha própria máquina, cheia de apegos e fricções. Fricções essas que, mais tarde ou mais cedo, me poriam a reflectir sobre o melhor caminho a optar. Uma vida de trabalho ou uma dedicada apenas aos amigos e as relações sociais?
Dois grandes factores que estavam sempre presentes na minha cabeça, e constantemente friccionavam um com o outro, como se fosse uma disputa. De facto, era mesmo.
Já desde pequeno que fora presenteado com esta matéria e francamente, tanto pensei, que nunca encontrei resposta. Deixei então, a partir de um certo dia, de reflectir sobre isto e passei a seguir o fluido dos acontecimentos. A verdade é que, nem por este método encontrei resposta…
Alguns anos passaram, e aos poucos comecei a aperceber-me de que era obvio que não havia resposta aquela questão. O mais correcto seria uma vida onde aqueles dois factores estivessem presentes.
Como cheguei a esta conclusão? Pois bem, reparei que uma vida de trabalho, de qualquer dos modos implicaria uma vida dedicada aos amigos e relações sociais devido as convivências com os colegas e os clientes fosse o trabalho que exercesse. Se rejeitasse este ponto de vista, o mais certo é que poderia ser reconhecido como uma “besta”, uma vez que alguém que não tem vida social apenas se destrói a si próprio.
Comecei então a trabalhar, no sector da construção. Facilmente chegara a uma posição na qual a minha função era supervisionar uma obra, assegurando me de que tudo estava bem e os gastos nela implícitos. Como era obvio, este cargo requeria comunicação entre todos os membros da equipa, caso contrário, o projecto não se concluía. Tudo correra bem até ao dia em que me envolvi numa discussão com um colega de trabalho, e tudo isto porque tínhamos diferentes pontos de vista. Foi então que as fricções daquela pergunta, cuja resposta eu pensava já ter encontrado, voltaram.
Nunca pensei que por uma mínima discussão, aquela sensação de dúvida pudesse voltar, mas voltou. A tal discussão, tendo durado cerca de meia hora, finalmente acalmara. Retomando o meu estado normal, reparei que aquela sensação de dúvida já não permanecia no meu coração. Mas com isto fiquei bem ciente, se não tivesse amigos e uma vida social, estas fricções ter-me-iam levado a minha própria destruição.
Foi então que passei a evitar qualquer discussão, dentro dos possíveis. E quando discutia, certificava me de que era por um curto espaço de tempo.